quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Críticas por Ediélio Mendonça



Dia 30/11 - “A historia de amor de Romeu e julieta”,Cia Cordel com a corda toda
Tenho certeza que São Shakespeare não se revirou na tumba, como acontece quase sempre, com as montagens ou adaptações encenadas no mundo todo. Junto-se a clássica historia do bardo inglês, a outra genialidade que é o nosso Ariano Suassuna. Através do Cordel e  uma equipe talentosa que tornou o espetáculo um exemplo de bom gosto, contenção (raro em se tratando de grupo de jovens e adolescentes) e criatividade. 
A organização como informou o grupo é dividida com os mais experientes, de forma homogênea todos colaborando para o resultado final. O espetáculo é quase um Ballet coreografado com a opção inteligente de fazer cenas em grupo como jogral, mas com a força do texto e da encenação. 
Apesar do branco e preto dos excelentes figurinos tudo tem um cromatismo impar com detalhes nas vestimentas de grande efeito. Emoldurado tendo três painéis de fundo com motivos florais delicados acentuados pela iluminação precisa. O elenco compensa a não experiência e a jovialidade com uma entrega vibrante num total respeito ao espetáculo e a si próprio. E como a produção informou o grupo passa por um processo de conhecimento e aprendizagem constantes, por isto é bom sugerir que na próxima etapa eles trabalhem bem a sua voz. Ai,  crescerão bastante nos palcos dos teatros e da vida.  


Dia 29/11 - “O Show do Palhaço Didi”,Cia Turma em Cena

Como o próprio nome diz na verdade é muita mais um show do que um espetáculo teatral. Composto de uma banda musical clownesca “O Show do Palhaço Didi” mistura diversas linguagens artísticas como: o universo circense, palhaçaria, cultura popular e cultura urbana. Tudo muito bem dosado e alegre para criançada e adultos. O jogo constante com a platéia provocando sua participação é satisfatoriamente realizado, provocando gargalhadas em muitos momentos. A proposta de unir elementos tão dispare alcança um excelente resultado como as entradas dos palhaços B boys dançando ou fazendo seus efeitos acrobáticos.

O Palhaço Didi (Adriano Evangelista) como atração principal e seu companheiro de pista Palhaço Gorori (Rafael Otoni) tem no jogo com público o seu destaque conseguindo uma comunicação segura e atenta de toda assistência e que assistência! Figurinos simples, porém, bem cuidados e com uma paleta de cores dentro do universo proposto. Ótimo divertimento.

Dia 28/11 - “O Homem”, Cia Teatropelo

 Um espetáculo despretensioso e agradável. Mesmo que não haja uma coerência dramatúrgica tudo que o grupo colocou no palco, uns mais outros menos funcionou. Uma mistura de textos que promete fazer uma viagem em torno do Homem, proposta que vai diluindo ao longo do espetáculo com gêneros teatrais se intercalando sem comprometer o todo. Vinha drama, narrativa, comedia de costumes, tragicomédia, farsa, etc. Mlillor Fernandes, Bertold Brecht, criação coletiva, Vinicius de Morais todos fragmentados e emoldurados por um cenário formado de manchete de jornais que se nada tem de original, enche bem o palco. A Direção frouxa cuida bem dos atores, não deixando excessos ou exibições histriônicas. Pecando por não resolver a transições dos quadros, o fecho de alguns esquetes, a trilha sonora perdida em algumas cenas e um bailado das atrizes que poderiam ser dispensados pela forma rudimentar como é executado.

O elenco é coeso com os atores mais seguros quando faziam os quadros criados coletivamente. O elenco feminino Rita Malam e Nathalia Myeller rendem menos que o masculino. Josué Nunes, Zeca Damasceno, Tiago Machado fazem boas intervenções com um ótimo ator em cena: Claudio Galvão.

27/11- “Hoje o avental, amanhã a luva”,Valeu Produções

 Conforme informou a produção este é um texto teatral de Machado de Assis dentro de sua vasta obra. Só conhecia “Lição de Botânica” uma peça curta parecida com os contos do grande escritor. De que origem for, o que interessa é sua realização no palco. Com vozes bem colocadas os atores tentam acionar uma chave de humor que não se completa, pois o texto em sendo de Machado de Assis é muito mais do sorriso discreto do que da gargalhada presumível em todos os espetáculos com tom de comédia.

O espetáculo acaba se tornando todo redundante, ficando a graça pela graça sem qualquer clima irônico ou critico.  Os personagens como se estivessem tomados pela doença de São Guido se movimentam ou agem como se quisessem passar a trama muito mais pela correria.  O cenário é feito pra projeto escola com mesas e cadeiras para o senta e levanta dos personagens. Os figurinos não colaboram na identificação dos personagens, embora haja alguma proximidade com o da criada. A idéia, também, de acrescentar com vídeo o significado do vocabulário de outros tempos resulta falso e não cumpre a intenção de brincar. Os atores estão soltos em cena, onde improvisam e se divertem às vezes deixando de divertir o principal: a plateia.


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